sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Inegável e de conhecimento público o momento que vivenciamos no agora. Imensas oportunidades paralelamente a riscos enormes.Embora tenhamos recursos para criar um verdadeiro Paraíso na Terra, parecemos apenas estar criando o irreversível Caos.
Nossa população está se duplicando a cada quarenta anos. São números aterradores, porque em contrapartida nosso meio ambiente está sendo destruído por resíduos químicos expulsados das indústrias, pela poluição residual dos produtos usados pela população, da destruição da camada de ozônio e do dióxido de carbono. Nossas florestas estão desaparecendo e nosso oxigênio também. Neste passo acelerado os desertos aumentarão massivamente. Não bastasse isso, temos derretimento de geleiras contribuindo para mais chuvas e, conseqüentemente, perda das lavouras. Segundo um alerta publicado por Lester R. Brown, do Worldwatch Institute, o mundo está perdendo o gelo da Antártida e das principais geleiras dos Alpes, Andes, Himalaia e das Montanhas Rochosas. Pesquisas demonstram que perto de vinte milhões de pessoas, a cada ano, morrem lentamente por processos alérgicos e sofrendo dores. Temos mais de setecentos milhões subnutridos que morrem de fome, num mundo no qual o que se planta colhe.
Não satisfeito com o estrago causado, o bicho homem resolveu instaurar o horror de uma ameaça nuclear, que representa a provável eliminação de toda a vida que habita o planeta azul, que, diga-se de passagem, já não tão azul assim. As ogivas nucleares atuais podem conter poder explosivo equivalente a 20 bilhões de toneladas de TNT, suficiente para formar uma corrente bélica que contornaria o planeta cento e sessenta vezes.
Estamos num momento decisivo da história humana. Há possibilidades incalculáveis de um lado, e sofrimento inenarrável, de outro. Em nenhum instante cósmico da história humana, tivemos maiores riscos e tantas oportunidades de transformação e progresso viáveis.
Esta é a notável era do alcance do inacreditável, por outro aspecto também da urgência absoluta de nossos problemas. Em milhões de anos de evolução é a primeira vez em que o homem se depara com todas as ameaças - criações suas – capazes da destruição massiva da população da Terra, assim como da sobrevivência de qualquer ser vivo sobre o planeta.
O problema da ausência de alimentos, poluição tóxica, destruição da camada de ozônio, armas nucleares decorrem diretamente de nosso “conhecimento” causado por comportamentos de medo, fobias, esperanças vãs, desejos e delírios que dão força a tais “invencionices”.
O estado do mundo reflete o estado de nossas mentes e, porque não dizer, da evolução de nossas almas. Os conflitos que nos rodeiam refletem os conflitos interiores dos seres humanos. Essa insanidade materializada é meramente reflexo da insanidade que existe em nós. É a resposta do espelho que idealizamos.
Isso significa que as ameaças humanas concebidas contra o bem estar dos “inimigos” são na realidade sintomas de nosso estado mental coletivo e individual. São nossos atritos pessoais que se estendem na teia da mente coletiva e são projetados nas mentes criadoras conectadas a essa “ordem dada” sub-repticiamente. Para corrigirmos o estado de aquecimento global, que acelerou todo o processo, devemos entender melhor a fonte dos problemas: o ser humano. “Conhece-te a ti mesmo” disse o filósofo. Portanto, apenas com base num entendimento correto da nossa conduta como indivíduo poderemos acalentar esperanças de, em domando-a, assegurar a sobrevivência da raça humana. Nada disso pretende negar a importância do poder institucionalizado, pelo contrário, pretende salientar que exatamente este perfil psicológico o sustenta e protege. Existem estudos, hoje, sobre as raízes desse comportamento fóbico-destrutivo do homem e estão tornando-as cada vez mais compreensíveis. São da extirpação dos fatores nocivos em nossos relacionamentos interpessoais e de nossa relação com a Terra que dependerá a vida no planeta.
Dentro dessa visão nova sobre nossa casa planetária, ela deixa de ser considerada um ser inanimado, e passa a existir como um ser vivo e pulsante. O homem deixa de entender a Terra como um mundo existente para servi-lo, parando de espoliá-la cotidianamente, porque sabe que ela responderá com o desequilíbrio do meio ambiente através de catástrofes como: terremotos, erupções vulcânicas, maremotos, tsunamis e tantos outros desastres que poderão advir se continuarmos neste passo humano inconseqüente. São os ecos da vida da Terra que devemos escutar e respeitar. Presume-se assim que deverá haver uma mudança radical no comportamento e especialmente na mente humana para se interpor à destruição vigente. Muitos ainda respeitam o individualismo como forma de vida, porém, existe sim o nosso elo de ligação, apesar de nossa independência. Não podemos negar nossa interdependência, não só entre nós humanos, mas com a própria Terra e com os demais seres viventes.
Esta visão mais contemporânea obstaculiza nossa agressividade e retira da história atual a sensação de separação que é a causa do medo e do sofrimento humanos. Conforme rezava a filosofia indiana antiga: "Onde quer que existe o outro, existe o medo", também nesse sentido o existencialista Jean Paul Sartre resumiu uma visão semelhante dizendo "o inferno é o outro". É exatamente essa idéia obsoleta e turva que será negada doravante, para que a agressividade humana seja minimizada.
Neste caminho, temos a responsabilidade individual em cuidar do lixo de nossas residências, separando-o para a reciclagem; o uso cuidadoso da água; a diminuição possível dos transportes individuais, ou de seu uso. Toda vez que respiramos ou tomamos um copo de água, estamos consumindo recursos naturais renováveis essenciais à nossa vida. Quando usamos uma folha de papel ou apontamos um lápis, também estamos usufruindo destes recursos naturais e, por isso, devemos ter a preocupação de cuidar da sua renovação, para evitar que o consumo irresponsável de determinado produto prejudique a natureza. A única forma de garantirmos que o planeta continue oferecendo para as gerações futuras o que hoje oferece para todos nós, é darmos preferência a produtos renováveis e não agressivos ao meio ambiente e lutarmos pelo trabalho de empresas socialmente responsáveis, dependentes de indivíduos conscientes da importância do seu comportamento para a preservação ambiental. Estes são comportamentos minimamente civilizados e humanos que se espera no hoje. Como também o cuidado interno com nossos pensamentos que energizam e dão combustão ao pensamento coletivo e, conseqüentemente à criação de novas invenções não agressivas ao meio ambiente e a diminuição das mentes doentias que depredam o planeta.
São passos vagarosos, mas pertinentes. É desses passos que dependem nossos filhos, netos, bisnetos e todas as novas gerações que virão à nossa frente. Paulatinamente a esses passos vamos nos moldando como novos humanos, mais respeitosos com a nossa mãe Terra e para com aqueles que nos precederão. Assim moldaremos o Paraíso na Terra. Este é o momento e esta a direção.
Biografia: Sylvia R. Pellegrino é o nome literário de Silvia Regina Pellegrino Freitas da Rocha, que já publicou três livros: “A Sacerdotisa”, “Alquimia & Transformação” e "Isabel - a Imperatriz do Brasil". Participou com contos em dez antologias coletivas. A escritora tem também vários contos e crônicas com os quais colabora com diversas revistas eletrônicas. Atualmente tem um site pessoal sob o endereço virtual
http://www.silviapellegrino.com. Foi a idealizadora e editora da revista virtual Boletim Cult, onde a cultura era o mote. Seu e-mail sylviapellegrino@hotmail.com. Faz parte da REBRA, da UBE e consta na lista de escritores da Wiquipédia.